O ROGATE

anibal

 

Bons Operários:

“A messe é grande mas os Operários são poucos”. Mt 9,37

O Padre Aníbal vai aprofundando, de maneira admirável esse versículo do Evangelho. Percebe-se que seu coração bate uníssono com o de Cristo e afirma, sem medo de errar “Quando Nosso Senhor dizia essas palavras, todas as regiões do mundo, até o fim dos séculos, e deplorava a escassez em certos tempos mais graves de Operários do Evangelho.”

Ele tinha certeza absoluta da penetrabilidade daquele Divino Olhar através dos séculos. Cristo não foi o Homem-Deus de um momento apenas da história, mas o é de todos os tempos, do caminhar da história. E quer comunicar tudo aquele que O preocupa, a cada um de seus seguidores. E o Padre assume, até as últimas conseqüências, tudo quanto se passa pelo Coração de Jesus: “Ora, se pensarmos em nosso tempo, não podemos deixar de participar da aflição do Coração de Jesus, vendo a escassez daqueles que devem recolher a Messe; a Igreja está empobrecida, as almas parecem, a desolação profetizada pelo profeta Daniel se estende, para preocupação imensa dos pastores da Igreja, que vêem suas dioceses sem sacerdotes e, às vezes, até muitas paróquias sem Padres…”

Para o Padre Aníbal é, sem dúvida, BOM OPERÁRIO, em primeiro lugar, o Sacerdote. E para com o Sacerdote ele é todo respeito, preocupação, veneração: “Só o Sacerdote católico pode difundir no mundo a luz da verdade: Nosso Senhor Jesus Cristo disse aos Sacerdotes: Vós sois a Luz do mundo, Vós sois o Sal da Terra, e se este Sal se torna insípido, como se salgará? (Mt, 5,13). Isso quer dizer: se faltar o ministro do Santuário, como as almas poderão se salvar?

…Não são os Sacerdotes os novos cristos, enviados por Jesus ao mundo, como Ele mesmo foi enviado pelo Pai?

…O sacerdote tem, ele só, o grande poder de destruir o reino do pecado e de modificar a face da terra. Este tem um poder que não deste mundo, uma força divina, um segredo milagroso, com o qual conquista os corações e torna importante todos os poderes contrários.

A história de 19 séculos de Cristianismo comprova e valoriza essa verdade…

…É verdade que o laicato católico é fonte de inúmeros operários, mas como pode existir o laicato sem o sacerdócio que, direta ou indiretamente o cria? “Mesmo as virgens consagradas ao bem espiritual e temporal do próximo, são filhas do Sacerdócio católico”.

É impressionante o afeto do Padre Aníbal para com o Sacerdote. E como procurou transmitir esse sentimento aos seus filhos e filhas! Basta pensarmos na sua maneira de se referir ao Sacerdote, de socorrê-los em suas necessidades materiais e mesmo espirituais.

Porém, o Padre não pára aí, no Sacerdote, quando se refere aos “Bons Operários”. Vai apontando quem são os BONS OPERÁRIOS, admitindo em base, que estes dependam do Apostolado Sacerdotal: “Aquele Divino Rogate não se refere só aos Sacerdotes…mas também a todos quanto o Altíssimo estimula com a Sua Graça a fazer o bem dentro da Igreja, na grande Messe das almas”. E explica: “Pedir bons operários para a Igreja, quer dizer, em 1º lugar, pedir SACERDOTES SANTOS, como Deus quer que eles sejam, RELIGIOSOS e RELIGIOSAS e mesmo LEIGOS, que repletos do Espírito de Deus e de zelo se empenham na salvação das almas e do mundo inteiro, de modo todo especial. São ainda bons operários, os educadores. Maus educadores que se espalham pela terra são o flagelo, a catástrofe! …E infeliz da juventude que cai nas suas mãos!

Essa Oração se refere também aos pais que têm nas mãos a grande Messe das futuras gerações, para que saibam identificar com o próprio exemplo, os filhos e os eduquem para aquele fim para o qual Deus a eles os confiou. E o Padre se lamenta: “Mas quão raros são esses pais e como muitas vezes o lar, a família, passam a formar aquele “mundo” que é um dos inimigos do homem”.

Se refletirmos mais seriamente sobre o espírito Rogacionista do Padre, percebemos quão imbuído ele estava daquele sentimento de Jesus que se manifesta de ponta a ponta, nos Evangelhos. Todo o Evangelho, toda a vida de Cristo é Rogacionista, desde a Encarnação (Encarnou-se para salvar o homem e ensiná-lo a ser instrumento de salvação para o mundo) até à Cruz (onde num esforço supremo de seu Divino Poder, readquire para cada homem a capacidade – nem sempre bem aproveitada – de ser realmente “homem”, segundo o exemplo que Ele viera dar) prosseguindo com Sua Ressurreição (garantia infinita para todos que lutam por construir-se a si próprio e ajudar na construção de um mundo humano e digno). O ROGATE foi por assim dizer, a Divina Assinatura de um Plano Divino de salvação, de construção do Reino.

Padre Aníbal parte dessa assinatura e se envolve na realidade do Evangelho, enamorand0se de tudo aquilo que preocupava o Cristo. E com esse espírito, seu olhar se dilata, se expande, como o de Cristo, não só quanto ao Campo de Trabalho, mas também quanto à sua maneira de rezar e ao conceito exato das Divinas afirmações feitas no Evangelho, como é o caso de “Bons Operários”.

Vemos no Padre um como que prolongamento de Cristo na história: um homem CRISTIFICADO. E isso ele tentou, não só comunicar, mas transferir para seus filhos. Deveríamos nos espelhar no Padre para vivermos a Vocação Rogacionista. Temos de ser a extensão do Padre, na Igreja.

 

Vida Rogacionista

A vida Rogacionista é feita de Oração e Ação. Se esse binômio não existisse, ela é falsa. O mesmo Padre Aníbal afirma: “Pedir ao Senhor que mande Operários à Sua Igreja e não dar a própria colaboração, podendo devendo, é rezar em vão. Nós devemos rezar, mas ao mesmo tempo, trabalhar também nesse sentido”.

Quanto à ORAÇÃO só chegaremos a rezar mesmo, quando estivemos conscientes da importância daquilo que pedimos. E a quantos anda o nosso conceito sobre o Sacerdote, sobre a Vida Religiosa Consagrada, sobre o Matrimônio (que poderíamos chamar de Mãe de todas as vocações), sobre o cristão consciente, engajado na Igreja, sobre o HOMEM – imagem e semelhança de Deus? A quantos anda a nossa preocupação e consciência do que seja a IGREJA? Só partindo de um CONCEITO verdadeiro de tudo isso, poderíamos chegar a REZAR e a nos PREOCUPAR, como Jesus se preocupou e como o Padre se preocupou e VIU o ROGATE.

E se realmente REZAMOS, também sentimos necessidade de dar algo de nós mesmos, de TRABALHAR, de sacrificar-nos, de evangelizar, de testemunhar, de colaborar… Tudo isso pode ser feito sem consciência; nós, porém, temos de realizar tudo com CONSCIÊNCIA ROGACIONISTA. O ROGACIONISTA (e nós o somos) é duplamente cristão: é cristão pelo Batismo e é por uma CONSAGRAÇÃO ESPECIAL: a do compromisso com o Cristo e com o Homem, através do espírito Rogacionista.

O mesmo trabalho feito por qualquer cristão ou Religioso e feito por um Rogacionista é diferente, pois o Rogacionista tem por dever um maior aprofundamento, uma visão mais ampla, mais profunda, mais CRISTIFICADA, devido à sua formação consagração Rogacionista. Com o Voto Rogacionista nós nos comprometemos seriamente em nos deixar CONTAGIAR pela DIVINA PREOCUPAÇÃO DE JESUS ao se fazer HOMEM e VIVER entre nós.

Nas 40 declarações e promessas que o Padre deixou para seus filhos, encontramos esse propósito: “…prometo que sob a orientação da Santa Obediência, não me pouparei em nada, pelo bem espiritual e temporal do meu próximo. E para estender-se – se possível fosse – essa caridade a todo mundo, de modo a abraçar intencionalmente e universalmente o maior bem espiritual e temporal do meu próximo presente e futuro, terei grande estima pela “ROGAÇÃO EVANGÉLICA” do Coração de Jesus, que é missão específica da Congregação; portanto, elevarei súplicas ao Altíssimo por esse fim, na Santa Missa, na Oração, na Santa Comunhão, na Visita a Jesus Sacramentado, no Terço, e não deixarei de exortar a isso os meus Irmãos e principalmente as crianças da Catequese.”

E falando diretamente as F.D.Z. sobre a importância do 4º Voto, volta a insistir: “Essas Santas Vocações, esses Ministros do Santuário, esses bons operários, esses novos apóstolos, serão objeto particular de todas as práticas de Piedade e de Apostolado das Irmãs dessas Congregação. Para que tal Oração obtenha maior efeito, as Irmãs procurem torná-la popular, tornando-a conhecida pelas pessoas acolhidas no Instituto e ensinando aos outros, o quanto seja possível. E suplicarão ao Senhor para que se expanda esses espíritos de Oração”. (Normas 06/10/89)

 

Oração Comprometedora:

A cada instante temos que nos ROGACIONISTAR; isto é, questionar a nossa vida de acordo com o espírito Rogacionista.

E o ROGATE  deve levar-nos à conversão. Se pedirmos “bons operários”, antes de mais nada, temos de ser, nós mesmos, “bons Operários na Vinha do Senhor” (nossa maneira de ser, nossa vida, nossa maneira de testemunhar e de ser cristão, de ser Igreja).

No apostolado temos de transparecer o nosso “SER ROGACIONISTA”: nossa vida, nossa preocupação nossa oração, nosso trabalho… enfim: somos cristãos, Religiosos, Apóstolos Rogacionistas, diferentes dos demais (embora envolvidos, talvez, pelo mesmo ideal de apostolado, de vida, de santidade).

Somos herdeiros de um CARISMA. E portadores de uma espiritualidade própria.

 

Doloroso Mistério:

Percebe-se que o versículo Rogacionista ficou esquecido nas páginas do Evangelho durante séculos. Se um ou outro lançou os olhos sobre ele, foi ao acaso, sem aprofundá-lo. Com o Padre Aníbal, a visão foi outra: ele foi estudado, aprofundado, transformado em VIDA, em IDEAL, em ESPIRITUALIDADE PRÓPRIA. E daí a divulgação tornou-se notória.

Quanto o Padre escreveu e falou sobre o ROGATE! Isto, até no Processo de Beatificação causou espanto aos Teólogos: “O servo de Deus foi de tal modo consciente da necessidade da Igreja de ter numerosos e dignos operários e da eficácia do remédio evangélico para conseguir tal fim que, no seu trabalho, arrastou – por assim dizer – céu e terra. Tal argumento foi a razão de sua vida, a nota dominante dos seus escritos, a característica da sua obra”. – São palavras de um dos teólogos censores da causa da Beatificação.

E o Apóstolo Rogacionista foi tentando invadir a Igreja com o seu fervor Rogacionista. Em 11/07/1909, pediu e obteve de Pio X licença para juntas às Ladainhas dos Santos, depois do versículo: “UT DONNUM…” o versículo Rogacionista: “UT DIGNOS AC ANCTOS EM TUAM COPIOSE MITTERE DIGNERIS, TE ROGAMUS AUDI NOS”.

Percebe-se que o Padre foi o Apóstolo escolhido para divulgar o Mandamento Rogacionista na Igreja. E esse Apostolado ele continua a fazer através de nós, seus filhos e filhas. SOMOS, por assim dizer, A EXTENSÃO DO PADRE EM NOSSOS DIAS.Continuamos o COMPROMISSO por ele assumido com Cristo que se lamenta ante a falta de Operários para a Igreja.

Somo responsáveis porque livremente, escolhemos e assumimos a missão de tornar evidente e urgente a Súplica pelas Vocações, ao lado do Apostolado Vocacional que não é só estimular e convidar, mas que é também o assumir conscientemente a própria vocação, tornando-se “Bom operário do Reino”.

 

 

Imã Maria da Glória

O VOTO DO ROGATE

Nós FDZ fazemos um 4º Voto do ROGATE, 1º é de vivenciar e propagar aquilo que, em síntese, é proposto por Jesus em Mt 9,35-38 e Lc10; 2º é o que nós expressamos simplesmente com uma palavra:

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ROGATE

 

Para compreendermos o que é o VOTO DO ROGATE, precisamos saber em 1º lugar o que é o VOTO.

A essa altura da caminhada na Vida Religiosa Consagrada, todas nós sabemos muito bem o que seja um VOTO. No entanto, para lembrar, vamos ao ensinamento mais recente da Igreja, que em parte, cita o CIC e termina dizendo em que consiste o VOTO:

“O VOTO,

  1. É a promessa deliberada e livre de um bem possível e melhor, feita de Deus, deve ser comprida a título da virtude de religião.” (CIC cn… 1191,1);

  1. O Voto é um ato de devoção, no qual o cristão se consagra a si mesmo a Deus ou Lhe promete uma obra boa. Pelo cumprimento de seus votos o homem dá a Deus o que Lhe prometeu e consagrou.

(Catecismo da Igreja Católica, n.2102)

Os votos que caracterizam a VRC são os de OBEDIÊNCIA, POBREZA, CASTIDADE. Estes não podem faltar num Instituto ou Congregação Religiosa. São eles CONSELHOS deixados por Jesus nos Evangelhos, daí o nome de CONSELHOS EVANGÉLICOS.

Porém, sob a ação do Espírito Santo, muitos cristãos querendo levar à radicalidade o próprio Batismo, assumem esses CONSELHOS como obrigação e fazem deles VOTOS e prometem observá-los, radicalmente, enquanto os demais os tem só como Conselhos (o que não deixa de ser sério também).

Ao lado desses três VOTOS, comuns a todas as Congregações, o nosso Padre Fundador, Bem-aventurado Aníbal Maria Di Francia, com a aprovação da Igreja, nos propõe outro voto: do ROGATE. Este é um mandamento de Jesus que se destina a todo cristão batizado, e portanto comprometido com o Reino, com o Plano Divino da Salvação. (em força do BATISMO recebido). Porém, nós FDZ fazemos desse mandamento comum a todos um VOTO. Pelo Voto do ROGATE, assumimos esse mandamento com radicalidade. Se, para o cristão comum o ROGATE, embora sendo um mandamento de Jesus, não é uma exigência radical, (Radical é o Mandamento do AMOR; deste Jesus não abre mão para ninguém!) Para nós essa observância é radical, porque nós tomamos esse mandamento, comum a todos, e o tornamos objeto de um VOTO, que fazemos a Deus.

Nessa determinação somo CONSCIENTES (trata-se de uma promessa deliberada, i. é: que nos foi proposta, discutida, esclarecida e só então assumida.) Ninguém é enganado ao fazer um voto. Somo também LIVRES (i. é: gozamos das qualidades necessárias para que nos auto-determinemos a dizermos SIM ao que nos é proposto. Ninguém deve fazer o Voto do Rogate se não concordar com ele ou se o desconhece… O “não-concordar ou o não-conhecimento” tiram a liberdade; quem não é capaz de compreender o que está sendo proposto não tem condições de fazer o voto – seja ele qual for, pois não é uma pessoa livre). Se não formos livres não podemos fazer o voto do Rogate e nem os outros três votos.

Quanto ao qualificativo DELIBERADO, com referência ao Voto, chega-se a isso pelo estudo, aprofundamento, reflexão… E isto é dado na Formação Inicial e na Formação Permanente. Cada vez devemos ser mais esclarecidos quanto aos Votos que fazemos, pois temos que responder SIM a cada hora, a cada minuto, mas perpassa toda a vida.

A respeito do Voto do ROGATE, se diz a mesma coisa: esse estudo, esse aprofundamento, essa reflexão deve ser continuamente atualizada. É preciso encará-la na história e descobrir a sua importância: no passado (na origem da Congregação e no início da nossa Consagração) e no presente (para a Congregação, para a Igreja e para mim: para a minha conversão, para a minha caminhada… para o Reino de Deus).

Esse trabalho de aprofundamento é algo que jamais terá para nós um “basta”! …A cada momento da história, exige atualização do próprio Carisma e, portanto, uma maneira de se responder ao Voto. Atualização que não muda nada no próprio Carisma (Voto) – pois, como DOM do Espírito Santo é sempre o mesmo – mas, que pede muito do nosso subjetivo: nossa abertura para o novo, para a história, para o caminho que se abre ou toma novos rumos…; é preciso re-elaborar sempre de novo – conforme a cultura e os tempos – o Discurso Rogacionista. (Muita da verdade fica defasada – não por ela mesma – mas pela maneira como ela é colocada, pelo discurso que a representa… não tão convincente ou então porque essa verdade é manipulada não sendo respeitada na sua essência).

Enfim, é preciso que tenhamos sempre muito bem empregado o “talento” recebido, para que ele renda – como o Senhor espera. Não podemos nos instalar no passado, o passado é sempre passado: o que nos exige de nós é o PRESENTE. Como falar agora, como apresentar e convencer hoje. Isto requer constante estudo, reflexão, busca. Oração, cultivo pessoal… ao lado do conhecimento perfeito da BASE que o passado nos legou. Se soubermos conviver com o CARISMA, na verta saberemos ser fiéis ao VOTO, também, pois, ambos são o mesmo ROGATE.

Se olharmos para a vida do nosso Fundador, nos surpreendemos pela capacidade de “inovação”, pela “criatividade”, pela “reflexão” constantes que fazia em cima do Carisma. E nós?…

É impressionante o quanto o VOTO do ROGATE exige de nós! Lembremo-nos apenas de uma coisa: nesse “barco”, quem está no leme somos nós e, quase sozinhas. Sim.; para os outros votos, os dos Conselhos Evangélicos, a Igreja está sempre a nos estimular, a nos orientar, porque são o essencial da VRC, aprovada por Ela. Mas do Rogate quem sabe somos nós mesmas. Nós é que temos que estudar, aprofundar, filosofar, fazer teologia rogacionista. (i. é, em cima do Rogate). Nós é que temos de ser as mestras do voto do Rogate.

Pode acontecer, e isto é verdade, que a luz possa vir também de fora, mas ela já vem como REFLEXO: em primeira mão essa luz partiu de nós; e no contato com a filosofia, com a teologia… recebeu novo brilho e retornou a nós nos enriquecendo, nos questionando, nos impulsionando. Quem desceu mais fundo na reflexão sobre o ROGATE foi o Padre Aníbal: ele é quem recebeu o CARISMA, fez dele um VOTO… dói o 1º Mestre do Rogate. Ao ouvi-lo, homens da Igreja, abeças de filósofos e de teólogos encontraram a MATÉRIA PRIMA e a aprofundaram, Hoje (e isto foi profetizado pelo próprio Padre Aníbal) toda a Igreja conhece o ROGATE e a sua importância para o Reino de Deus (não só como Palavra de Deus – e aí destinadas a TODOS – mas também como CARISMA e VOTO, assumidos pela Família do Di Francia), e nós somos beneficiadas com isso.

Muitas de nossas coirmãs têm procurado aprofundar o CARISMA DO ROGATE. Eis como fala a Ir. M. Rosa Graziano:

“O IV VOTO é verdadeiramente o elemento específico de uma família religiosa consagrada. Ele não vem reforçar a “consagração” religiosa, mas à enriquece e lhe dá maior compreensão e expressão.

O nosso IV VOTO, o Rogate, é a obediência ao divino Mandamento “Rogai ao Senhor da ?Messe que mande operários à sua Messe” e torna-se o empenho de cada uma de nós e o ideal de toda a Congregação;

O IV VOTO no pensamento do Padre: Este se expressa assim, em uma cata ao Cardeal Rampolla, a 26 de junho de 1901: “Esta humilíssima Obra… assumiu como VOTO e como seu primeiro fim, já há 20 anos, a alta missão da Oração cotidiana para obter bons Operários Evangélicos à Santa Igreja (Escritos 28,43)”.

Vinte anos após, o Padre escrevia a Pio XI, confirmando o que havia dito antes: “… há 40 anos e por VOTO… aquele mandamento; esforçamo-nos em propagar esse espírito de Oração. (Escritos 28, 26)”. (…)

Em um dos primeiros regulamentos, de 19/07/1888, ele explica: “este VOTO abraça tudo”. Logo depois escreve: “este VOTO envolve toda a Pobrezinha do Coração de Jesus; deve envolver todas as intenções e em união com o Coração de Jesus, toda a Obra” (Regulamentos, Parte I, pp. 45-46).

O conteúdo pleno do VOTO se encontra claramente expresso na XXI DECLARAÇÃO (Ver AR pp 663-664)

O Padre Fundador formulou o IV VOTO de forma plena e clara: Por meio deste VOTO nós nos ligamos a três coisas:

1ª a Rezar

2ª a Propagar

3ª a ser Boas Operárias (AR pp 55-56) (…)

O IV VOTO tem por objetivo o CARISMA específico de um determinado Instituto, não diz nada de novo, não acrescenta nada este; pelo seu conteúdo é parte essencial da Congregação.

Esse VOTO concretiza a sua fórmula abstrata e genérica na Profissão

Para nós, o VOTO DO ROGATE não é um voto provado, mas sim o VOTO que engloba a Pobreza, a Castidade e a Obediência; enfim, explicita na práxis sob forma de obrigação, a peculiaridade do nosso estilo de vida como FDZ.

As nossas Constituições se referem ao IV VOTO nos artigos 38-42. E justamente se pode observar a unidade: CARISMA-VOTO SOBRE UM MANDAMENTO DE JESUS. Fala da atualidade desse CARISMA na Igreja, em que consiste a nossa espiritualidade e as existências do mesmo como VOTO e como FIM ESPECÍFICO.

O Diretório da Congregação explicitando melhor o que ficou expresso nas Constituições, nos arts. 44-46, fala que é um privilégio de podermos considerar como referente a nós, FDZ, esse Mandamento de Jesus.

O Capitulo Geral de 1992 – IX Capítulo Geral, apresenta o ROGATE como dom que se faz oração e serviço. Vê o ROGATE como marcantemente ORAÇÃO, entre nós FDZ e entre os nossos alunos e assistidos em geral. Fala da necessidade da sua difusão como fruto de nossa perseverança criativa e fervorosa. Destaca a importância da presença da FDZ nas estruturas e organismos da Igreja local para maior animação da comunidade cristã, o que exige disponibilidade e PREPARO, da parte das religiosas e empenho, neste ponto, da parte da Congregação. (Cf Atti Cap. Cap. I, 5, p.33-34)

Pe. Aldo Aluffi, SJ, no seu compêndio “Il ROGATE COME LIETO ANNUNZIO” assim fala às FDZ: Não podemos ler os escritos do Padre Fundador, sem sentir-nos humilhados diante de seu ardor pelo Rogate, em confronto com a nossa incerteza. Ouçamo-lo:

“Eu me considero um afortunado por ter sido chamado ao cultivo dessa Divina Palavra, o ROGATE, à qual quero dedicar a vida e toda a minha pessoa.

Estou pronto, …com a ajuda do Senhor, a qualquer sacrifício e até mesmo a dar o sangue e a vida, para que essa Rogação se torne universal” (AR pp 663-666)

E continua o Pe. Aluffi: “Saibam (as FDZ) encontrar-se nessa alegria (que contagiava o Fundador) a que têm todo o direito.O Padre Fundador sussurra a vocês, sugerindo-lhes as palavras certas: “…eu me considero afortunada por ter sido chamada ao Rogate…”

É assim que escreve um sacerdote que não é Rogacionista. Tal tipo de reflexão é um questionamento para nós: Será que nos sentimos felizes por sermos FDZ? Será que amamos o nosso CARISMA-VOTO a ponto de sacrificar por ele a própria vida, se for necessário? Lembremo-nos – diante da possibilidade do martírio – trata-se da PALAVRA DE DEUS …é portanto o PRÓPRIO DEUS que acolhemos radicalmente como Carisma e Voto. E Deus quando SE dá a alguém dá-SE com suas exigências, mas também com Sua Alegria Infinita: Sejamos, portanto FELIZES, AFORTUNADAS de pertencermos à Família Rogacionista!

 

 

ROGATE  x  VIDA CONSAGRADA (Pobreza, Castidade e Obediência)

 

A CONSAGRAÇÃO RELIGIOSA da FDZ tem uma marca, uma característica própria: a MARCA ROGACIONISTA.

Os mesmos VOTOS de Pobreza, Castidade e Obediência, comum a todas as Congregações Religiosas, para a FDZ assume uma característica própria, inconfundível, que a diferencia, que a identifica entre as demais religiosas de outras Congregações. Pelo menos deveria ser assim… E creio que assim que o Senhor espera ver a consagração da FDZ.

VOTO DE OBEDIÊNCIA: traz a marca do ZELO pela Messe. Faço o Voto de Obediência porque tenho que buscar o Reino de Deus. É o meu ZELO pelo Reino que alimenta e fortalece a minha Obediência. Esta, por sua parte é o meio pela qual me sinto mais livre para me dedicar à Messe. Mais livre e mais segura: pois se é o Reino de Deus que eu viso, nada mais segura que ser conduzida pela Mão do Pai, na caminhada, com inteira submissão à Sua Vontade.

VOTO DE CASTIDADE: traz a marca da COMPAIXÃO e TERNURA de que está possuído o Coração de Jesus para com o ser humano (principalmente o pecador). Eu, como FDZ, me reservo inteiramente (pela castidade), para me derramar, por inteira, sobre a Messe, que precisa ser recolhida nos Celeiros do Pai. Reservo os meus afetos para alimentar a COMPAIXÃO e TERNURA que devo aprender do Coração Compassivo de Jesus, que é terno e casto. Portanto minha renúncia ao afeto humano pela Castidade, como FDZ, visa justamente o outro lado, essa Compaixão-Ternura própria da FDZ, alimenta a Castidade professada pelo Voto.

VOTO DE POBREZA: traz a marca da DOAÇÃO SEM RESERVAS pelo Reino. Quero ser pobre para ser capaz de me dar pela Messe. Privo-me do TER, para melhor SER a Boa Operária, dedicada, sem reservas, à Messe do Senhor. Aí (na Messe do Senhor) é que vou “esbanjar” toda a minha riqueza, tudo o que tenho de mais precioso: o meu próprio ser.

Renuncio possuir algo pela pobreza, e como FDZ, renuncio a mim mesma pela Messe. E de outro lado, nessa renúncia pessoal (doação) pela Messe, torna-se mais evidente o Voto de Pobreza que fiz.

Portanto, o VOTO DO ROGATE que a FDZ faz não é superior aos outros três, mas vem dar novo brilho e apóia na libertação que eles operam em nós, para tornar-nos mais livres como operárias da Messe.

O VOTO DO ROGATE vem confirmar os três Votos da VOCÊ, envolvendo-os com novo brilho. É a mesma VC (Vida Consagrada), mas não seja FDZ, porém VCR (Vida Consagrada Rogacionista), i. é, com uma característica própria, bem marcante, em meio a muitas outras existentes na Igreja, com carismas diferentes.

Partindo do que ficou exposto, pode acontecer que uma religiosa seja realmente Religiosa (tenha assumido uma Vida Consagrada), mas não seja FDZ, pois não tem a característica Rogacionista (VCR). Pode acontecer também que uma religiosa se diga FDZ e tenha feito o Voto do Rogate, mas por culpa da própria, não aprofundou a própria identidade Rogacionista e se apresente aberrantemente uma religiosa híbrida: uma cabeça jesuíta, um coração franciscano… E apenas uma capa rogacionista.. E desse tipo de mistiçagem, pouco ou nada se pode esperar. Lembremo-nos: o Espírito Santo é puro espírito não admite mestiçagem… hibridismo; Ele é bem preciso naquilo que quer a nosso respeito, dentro do Reino de Deus.

 I. Maria José Soares Ferreira – FDZ